Durante o Domingo de Ramos, pontífice defende paz e cita conflitos globais

Papa Leão XIV - Foto: Reprodução/Vatican News
O papa Leão XIV fez um pronunciamento contundente neste domingo, 29, durante a missa do Domingo de Ramos no Vaticano, contestando o uso de Deus para justificar guerras. Diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o pontífice enfatizou que Deus é o "rei da paz" e rejeita a violência.
Em meio aos conflitos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, além da guerra na Ucrânia, o papa dedicou seu sermão para reforçar a mensagem de paz. "Meus irmãos e irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra e a quem ninguém pode usar para justificá-la", declarou o pontífice, acrescentando que Deus "não escuta as orações de quem faz a guerra, mas as rejeita."
O pronunciamento do papa surge em um momento em que líderes de diferentes lados dos conflitos têm utilizado a religião como justificativa para suas ações. Autoridades americanas, como o secretário de Defesa Pete Hegseth, têm invocado a fé cristã para caracterizar o conflito como uma luta entre uma nação cristã e seus inimigos, enquanto a Igreja Ortodoxa russa tem defendido a invasão da Ucrânia como uma "guerra santa".
Ao final da celebração, Leão XIV dedicou uma bênção especial aos cristãos no Oriente Médio, que estão "sofrendo as consequências de um conflito atroz". O pontífice lamentou que muitos fiéis não possam "viver plenamente os ritos destes dias santos".
Retomada das Tradições na Semana Santa
O papa Leão XIV, primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, está retomando tradições importantes durante a Semana Santa, incluindo a cerimônia do lava-pés na Quinta-feira Santa na basílica de São João de Latrão. Esta celebração marca uma mudança em relação ao seu antecessor, o papa Francisco, que realizava o ritual em prisões e centros de refugiados.
O programa da Semana Santa inclui a presidência da procissão da Sexta-feira Santa no Coliseu de Roma, a Vigília Pascal no sábado - quando novos fiéis serão batizados - e a celebração da missa de Páscoa na Praça de São Pedro, seguida pela tradicional bênção pascal da sacada da basílica.
O pontífice encerrou suas palavras reforçando que durante a Semana Santa, os cristãos devem lembrar daqueles que sofrem como Cristo sofreu, fazendo um apelo ao "Príncipe da Paz" para que "sustente os feridos pela guerra e abra caminhos concretos de reconciliação e paz".