Nascer hoje é um privilégio, mas também uma responsabilidade coletiva

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De fato, apesar dos desafios das mudanças climáticas, há muitos motivos para considerar que vivemos uma época incrível para nascer.
Por um lado, as tecnologias avançadas e a globalização trazem oportunidades sem precedentes para o desenvolvimento pessoal e profissional. A conectividade e o acesso à informação permitem que as pessoas aprendam, criem e se conectem com outras ao redor do mundo de maneiras que antes eram inimagináveis.
Por outro lado, os impactos das mudanças climáticas representam desafios significativos para o futuro. No entanto, essa realidade também impulsiona inovações e ações em direção a um futuro mais sustentável.
Este artigo é fruto de reflexões com o amigo de longa data Décio Michaelis, com quem desenvolvemos o tema.
O momento presente se destaca como a era mais promissora e esperançosa, apesar da ansiedade generalizada em relação ao clima. Os avanços na tecnologia, na saúde e no desenvolvimento econômico melhoraram drasticamente os padrões de vida, tornando este o melhor momento da história para começar uma vida.
Os avanços tecnológicos e o aumento da prosperidade tornaram hoje amplamente acessíveis muitos bens e experiências que estavam disponíveis exclusivamente para os indivíduos mais ricos há um século.
Essa democratização da tecnologia remodelou fundamentalmente a sociedade, trazendo conforto, conveniência e oportunidades sem precedentes para um segmento muito mais amplo da população.
A tecnologia permitiu avanços significativos na gestão de recursos, produtividade e comunicação. Ferramentas de gestão de projetos, colaboração em tempo real e automação estão revolucionando como trabalhamos e vivemos.
Cinquenta anos atrás, em 1973, a taxa global de mortalidade infantil era três vezes e meia maior do que hoje, e em 1923, era quase nove vezes maior.
Em 1800, a expectativa de vida mundial era de 28,5 anos. Em 2021, esse número subiu para 72,6 anos e, nos países mais ricos do mundo, para bem mais de 80 anos.
Apesar dos desastres naturais, da turbulência política e das guerras desde 1980, a abundância de recursos continuou a aumentar mais de seis vezes mais rápido do que o crescimento populacional — um fenômeno que chamamos de “superabundância”.
O Brasil subiu cinco posições no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, impulsionado por melhorias na renda e na saúde, apesar da estagnação na educação. O Banco Mundial mediu um crescimento do PIB brasileiro para 2,4% em 2025, acima da média da América Latina e Caribe.
O Brasil colherá 354,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativa da Companhia Nacional Abastecimento (CONAB). Em termos de área serão 84,4 milhões de hectares, com produtividade média nacional estimada em 4,2 mil quilos por hectare o que corresponde a um crescimento de 3,3% na comparação com a safra anterior.
A pobreza na América Latina caiu quase pela metade em 20 anos, de 58% para 30%.
Cientistas e engenheiros estão encontrando maneiras de transformar poluição e resíduos em recursos valiosos. Ao reimaginar o lixo como um recurso, podemos tornar o planeta mais limpo, impulsionando novas indústrias e empregos.
Apesar dos temores generalizados sobre o futuro — desde o colapso apocalíptico até o esgotamento de recursos — a história da humanidade demonstra um padrão consistente de progresso e resiliência. Embora ainda existam desafios, os dados mostram claramente que os padrões de vida globais estão aumentando — e que o medo muitas vezes fica aquém da realidade. Nem tudo é perfeito. Afinal, temos guerras, terroristas, mudanças climáticas e por aí vai. Mas quando pergunto a qualquer pessoa: “Quem gostaria de voltar magicamente ao mundo de um século atrás, sem direito de retornar a 2025?”, ninguém se interessa. (Wojciech Janicki)
A produção de alimentos é mais eficiente e diversificada, com acesso ampliado a nutrientes essenciais. Tecnologias agrícolas e cadeias globais de distribuição permitem maior disponibilidade de alimentos em diferentes regiões.
Há, contudo, desafios ligados à sustentabilidade e ao impacto ambiental da produção intensiva.
A Mãe Natureza se tornou mais violenta e caprichosa nos últimos anos (pelo menos quando se trata de furacões e inundações).
Mas em qualquer cabo de guerra entre o clima e a engenhosidade humana, seria aconselhável apostar na última.
A segurança energética e a confiabilidade na oferta de energia elétrica aumentam a eficiência dos sistemas econômicos em todas as áreas.
Se hoje já é uma época privilegiada para nascer, o futuro traz tanto oportunidades quanto riscos.
