Apenas 1% dos repatriados tinham alerta internacional

Foto: Divulgação/Casa Branca
O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, registrou um aumento significativo de 88,7% no número de brasileiros deportados em 2025, em comparação com o ano anterior. O total de deportados subiu de 1.662 para 3.137 pessoas, sendo que apenas 1% deles possuía antecedentes criminais graves.
A intensificação da política anti-imigração do governo norte-americano resultou em um fluxo constante de deportações, com uma média mensal de 255 pessoas chegando a Confins em 2025. Nos últimos cinco anos, o aeroporto recebeu um total de 12.642 brasileiros forçados a deixar os Estados Unidos.
Pontos principais sobre as deportações em Confins:
* Semanalmente, chegam voos com aproximadamente 200 deportados ao aeroporto, conforme informado pelo superintendente Regional da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad Macedo.
* Apenas 34 pessoas do total de deportados em 2025 possuíam alerta de “difusão vermelha” da Interpol, sendo detidas no momento da repatriação por crimes graves como homicídio ou tráfico de drogas.
* Diversos deportados relataram situações de humilhação e violência física durante o processo de deportação, incluindo um caso de um mineiro de 31 anos que sofreu fraturas na perna após abordagem da Polícia de Imigração americana.
O aumento das restrições migratórias tem gerado consequências preocupantes. Segundo a Polícia Federal, quanto mais rigoroso o controle de entrada, maior é a procura por rotas clandestinas e a atuação de “coiotes”. Estes criminosos chegam a cobrar cerca de R$ 100 mil para realizar o transporte ilegal de pessoas, frequentemente submetendo as vítimas a diversos tipos de abusos.
Em janeiro de 2025, o presidente norte-americano Donald Trump prometeu deportar “milhões” de imigrantes, referindo-se a eles como “estrangeiros criminosos”. Desde então, os Estados Unidos enfrentaram protestos e tensões relacionados às ações da polícia migratória ICE.
O cenário atual demonstra a continuidade da política restritiva americana, com Confins mantendo-se como um importante ponto de chegada para brasileiros deportados. Até o momento da divulgação dos dados, o Ministério de Relações Exteriores não havia se pronunciado sobre a situação.