Em 2020, percentual era de 13,7%

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O comércio de Belo Horizonte está experimentando um significativo ressurgimento do pagamento por carnê, segundo levantamento realizado pela Fecomércio Minas. O estudo indica que 30,6% dos consumidores da capital mineira já utilizam essa modalidade de crédito, representando um aumento expressivo em comparação aos 13,7% registrados em janeiro de 2020.
A economista Gabriela Martins, da Fecomércio Minas, destaca que o crescimento do uso do carnê foi especialmente notável a partir de 2022. “Os dados mostram que o pagamento por carnê cresceu de forma significativa nos últimos anos. Em janeiro de 2020, a modalidade era utilizada por 13,7% dos consumidores. Em janeiro de 2026, esse percentual chegou a 30,6%. Isso representa um aumento de 16,9 pontos percentuais no período, ou seja, mais do que dobrou em seis anos”, afirma.
Fatores que impulsionam o crescimento do carnê:
* O aumento do endividamento das famílias e a elevação das taxas de juros têm limitado o acesso a outras modalidades de crédito
* A falta de limite no cartão de crédito tem levado consumidores a buscarem alternativas de parcelamento
* As parcelas fixas do carnê facilitam o planejamento financeiro das famílias
* O modelo é particularmente popular para a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos
A reportagem ouviu diferentes opiniões de consumidores no Hipercentro de Belo Horizonte. O autônomo Marcos Miranda de Oliveira, de 63 anos, demonstrou preferência pelo sistema: “Sim, fiz a compra aqui no carnê. Eu acho melhor porque a gente já gera o boleto e fica esperando só as prestações para pagar”.
Por outro lado, alguns consumidores expressam preocupação com as taxas de juros. A balconista Maristela Celeste, de 60 anos, revelou que recusou a oferta de carnê ao comprar um guarda-roupa: “Chegaram a oferecer o carnê, mas eu não quis. O juro do carnê é altíssimo”.
A economista Gabriela Martins explica que o carnê se tornou uma alternativa mais acessível devido às dificuldades financeiras das famílias: “Com o orçamento das famílias cada vez mais apertado e o acesso ao crédito bancário mais restrito, o carnê volta a ganhar espaço como uma alternativa mais simples e acessível para o consumidor”.