Dr. Jairinho e Monique enfrentam júri popular

Após 5 anos, tem início nesta segunda julgamento do Caso Henry Borel
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro dá início hoje ao julgamento do caso Henry Borel, que comoveu o país em 2021. O ex-vereador Dr. Jairinho e Monique Medeiros, mãe do menino, são os réus acusados pela morte da criança de 4 anos, ocorrida em 8 de março de 2021.
Henry Borel deu entrada sem vida em um hospital da Barra da Tijuca, zona Oeste do Rio. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) revelou 23 lesões no corpo da criança, incluindo hemorragia interna e laceração hepática causada por ação contundente, evidenciando um histórico de violência.
* Dr. Jairinho, padrasto de Henry Borel, é apontado como principal autor das agressões. Após as investigações, teve seu mandato de vereador cassado e registro médico cancelado, permanecendo em prisão preventiva.
* Monique Medeiros responde por homicídio triplamente qualificado, tortura por omissão, coação processual, fraude processual e falsidade ideológica. A acusação sustenta que ela tinha conhecimento das agressões e se omitiu.
O julgamento será conduzido por sete jurados, que decidirão sobre a condenação ou absolvição dos réus. Segundo o coordenador do Núcleo Criminal da Dotti Advogados, Gustavo Scandelari, “Todos os crimes dolosos intencionais contra a vida no Brasil, consumados ou tentados, eles são submetidos a júri popular”.
O especialista avalia que as penas podem ser significativas: “Se a gente considerar que o crime com a pena mais alta é o homicídio qualificado, que vai até 30 anos, eu acredito que a pena vai partir daí, para os dois”.
Existe a possibilidade de adiamento do julgamento, especialmente devido à ausência de testemunhas-chave, como a babá Thayná de Oliveira Ferreira, que apresentou três versões diferentes dos fatos ao longo do processo.
A defesa dos réus também apresentou um pedido de desaforamento, buscando transferir o julgamento para outra localidade, alegando que a exposição do caso pode comprometer a imparcialidade dos jurados locais.
Leniel Borel, pai de Henry, que se elegeu vereador do Rio em 2024 com mais de 34 mil votos, tornando-se o oitavo mais votado da capital, não se pronunciou sobre o início do julgamento.
