Reviravolta ocorreu em momento inesperado

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Em uma reviravolta no comércio mundial, a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos e a subsequente reação de Donald Trump causaram uma transformação significativa nas relações comerciais globais em apenas 72 horas. A decisão judicial, que considerou ilegais as tarifas impostas via IEEPA, levou Trump a estabelecer uma nova tarifa global de 15%.
A sequência de eventos se desenvolveu da seguinte forma:
* A Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 a 3, declarar ilegais as tarifas impostas por Trump através do IEEPA, que chegavam a 50% para países como Brasil e China
* Em resposta imediata, Trump anunciou uma tarifa global temporária de 10% utilizando a Seção 122 do Trade Act de 1974
* No dia seguinte, Trump elevou a tarifa para 15%, o limite máximo permitido pela lei, com vigência até julho, salvo extensão pelo Congresso
O Brasil emerge como um dos principais beneficiários desta mudança, registrando a maior queda média de tarifas: -13,6 pontos percentuais, segundo análise do Global Trade Alert. Para o setor de petróleo e gás brasileiro, a mudança representa uma oportunidade extraordinária, especialmente para a Petrobras.
As exportações brasileiras de petróleo para os EUA, que já atingiam marcas expressivas de 500 mil barris diários em 2025, agora têm potencial para crescimento ainda maior. Os campos do pré-sal, como Búzios e Mero, ganham novo impulso com a perspectiva de atingir metas de produção de 2-3 milhões de barris/dia antes do previsto.
A China, anteriormente sujeita a tarifas de até 145%, também se beneficia significativamente com a redução para 15%. Esta mudança favorece especialmente as exportações de equipamentos para a indústria de óleo e gás, incluindo tubos, peças de perfuração e maquinário.
Em contrapartida, aliados tradicionais dos EUA como União Europeia, Reino Unido e Japão enfrentam aumentos tarifários médios de 0,8 a 2 pontos percentuais, gerando instabilidade nos mercados globais e enfraquecimento do dólar.
A medida, embora temporária com duração de 150 dias, representa uma janela de oportunidade significativa para o Brasil e outros países emergentes no setor energético, mesmo que Trump já tenha iniciado investigações via Seção 301 contra o Brasil em áreas como comércio digital, etanol e desmatamento.