Tentativa ocorreu um dia antes da liquidação

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A Polícia Federal iniciou uma investigação sobre o grupo Fictor, que tentou adquirir o Banco Master um dia antes de sua liquidação. O inquérito visa apurar possíveis crimes contra o sistema financeiro, incluindo gestão fraudulenta.
Em 17 de novembro de 2025, o grupo Fictor anunciou que liderava um consórcio com investidores dos Emirados Árabes Unidos para comprar o Banco Master. No entanto, após a liquidação do banco no dia seguinte, a proposta foi suspensa. Posteriormente, o Fictor entrou com pedido de recuperação judicial para estender o prazo de pagamento de suas dívidas.
A tentativa de venda ao grupo Fictor representou o último esforço de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, para evitar a liquidação do conglomerado. Anteriormente, Vorcaro havia buscado negociação com o Banco de Brasília (BRB), que chegou a aprovar a aquisição de 58% do capital total do Master em março de 2025.
Um parecer técnico do próprio BRB, divulgado quatro dias antes, havia apontado ressalvas quanto à liquidez e ao índice de Basileia do banco. Apesar disso, a diretoria jurídica não identificou impedimentos legais para a transação. O negócio só não se concretizou porque o Banco Central impediu a operação em setembro.
O Banco Central já monitorava indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB, incluindo a ausência de comprovação de transferências bancárias dos empréstimos. Investigadores identificaram o uso indevido de CPFs reais, afetando potencialmente a avaliação de crédito de 40 mil pessoas.
Na última quarta-feira (4), senadores da Comissão de Assuntos Econômicos se reuniram com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, buscando acesso aos documentos relacionados ao processo de liquidação do Banco Master.