A captura de Nicolás Maduro encerrou um dos ciclos políticos mais longos e controversos da história recente da Venezuela. No comando do país por m...

Foto: FMT
No comando do país por mais de uma década, Maduro deixou um legado marcado por concentração de poder, crise econômica profunda, isolamento internacional e sucessivos confrontos institucionais.
Antes de chegar à Presidência, Maduro construiu sua trajetória política no movimento sindical do metrô de Caracas. Sua projeção nacional ocorreu a partir da proximidade com Hugo Chávez, de quem se tornou um dos aliados mais leais.
Durante os governos chavistas, Maduro ocupou cargos centrais do Estado venezuelano. Foi deputado, presidente da Assembleia Nacional e ministro das Relações Exteriores por mais de seis anos, período no qual se consolidou como operador político e diplomático do regime bolivariano.
Com a morte de Chávez, em 2013, Maduro foi indicado como sucessor e venceu uma eleição apertada, assumindo a Presidência em meio a um cenário de polarização política e deterioração econômica.
Ao longo de seu governo, a Venezuela enfrentou hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos, colapso de serviços públicos e uma crise humanitária que levou milhões de venezuelanos a deixar o país. A economia, fortemente dependente do petróleo, entrou em colapso após a queda dos preços internacionais e anos de má gestão.
Diante do aumento dos protestos, o governo Maduro ampliou o uso de decretos de emergência, reforçou o papel das Forças Armadas e reduziu o espaço de atuação da oposição. Instituições como o Judiciário e o Conselho Eleitoral passaram a atuar de forma alinhada ao Executivo, segundo críticos do regime.
No plano externo, o governo Maduro tornou-se alvo de sanções dos Estados Unidos, da União Europeia e de países da América Latina. Washington acusou o líder venezuelano de corrupção, violações de direitos humanos e envolvimento com o narcotráfico, elevando recompensas por informações que levassem à sua prisão.
Em 2019, a crise institucional atingiu seu ápice quando o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, foi reconhecido por dezenas de países como presidente interino da Venezuela. Apesar disso, Maduro manteve o controle do território, das Forças Armadas e da máquina estatal.
A captura de Nicolás Maduro marcou o desfecho de um governo que se sustentou por meio do controle institucional e de alianças estratégicas internas e externas. Para apoiadores, ele representou a continuidade do projeto bolivariano e a resistência à pressão estrangeira. Para críticos, governou como um líder autoritário que aprofundou a crise e enfraqueceu a democracia venezuelana.
Com sua retirada forçada do poder, a Venezuela entrou em um novo capítulo de sua história, ainda cercado de incertezas sobre a reorganização política, a estabilidade institucional e o futuro do país após mais de uma década sob o comando de Maduro.