Inquérito apura esquema de até R$ 17 bilhões

Toffoli tira sigilo de depoimentos de Vorcaro e ex-presidente do BRB
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (29) a retirada do sigilo dos depoimentos relacionados às investigações da fraude financeira do Banco Master. A decisão inclui os testemunhos do empresário Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
A medida foi tomada em resposta a uma solicitação do Banco Central para ter acesso ao depoimento de Aquino, realizado em 30 de dezembro. Toffoli optou por estender a transparência a todos os depoimentos envolvidos, incluindo a acareação entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa.
O caso em investigação envolve uma complexa operação financeira:
* O BRB teria investido R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, através da aquisição de carteiras de crédito falsas e ativos irregulares
* Em resposta à situação, o BRB informou que já havia liquidado ou substituído mais de R$ 10 bilhões dos ativos do Master, mencionando a possibilidade de receber apoio financeiro do governo do Distrito Federal
* O Banco Master foi liquidado em novembro após ser alvo da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que resultou na prisão de Vorcaro
* A investigação revelou um esquema de venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco, com ofertas de taxas de juros acima da média do mercado
O caso foi encaminhado ao STF devido à possível participação de autoridades com foro privilegiado. Toffoli, que tem enfrentado críticas sobre sua atuação no caso, manifestou-se pela primeira vez, esclarecendo que sua designação como relator ocorreu por sorteio.
“Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, declarou o ministro.
O restante do inquérito sobre o Banco Master permanece sob sigilo até manifestação da Procuradoria-Geral da República.