Segundo ele, Wagner é “oportunista”

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer a categoria de Melhor Ator em Filme Dramático no Globo de Ouro por sua atuação em “O Agente Secreto”. No entanto, sua vitória e discurso, junto com as declarações do diretor Kleber Mendonça Filho durante a premiação no último domingo (11), provocaram forte reação do deputado federal e ex-secretário especial da Cultura, Mário Frias (PL-SP).
A polêmica se desenrolou nas redes sociais, onde Mário Frias fez uma série de publicações criticando duramente o ator baiano:
* Em postagens em inglês, Frias chegou a marcar o secretário de Estado do governo Trump, Marco Rubio, acusando Wagner Moura de “explorar o sofrimento como palco para inflar o próprio ego e vender a ilusão do artista politicamente consciente no exterior”
* O ex-secretário intensificou suas críticas chamando o ator de “parasita social” e “oportunista confortável que assiste ao próprio povo sangrar”
Durante seu discurso no Globo de Ouro, Wagner Moura, conhecido crítico do ex-presidente Bolsonaro, celebrou a cultura brasileira e destacou que “O Agente Secreto” aborda questões sobre “memória, ou a falta de memória, um trauma geracional”. O filme narra a história de um professor que viaja de São Paulo a Recife durante a ditadura militar.
Em entrevista anterior ao The Hollywood Reporter, Moura havia denunciado uma “censura cínica” durante o governo Bolsonaro, alegando que esse tipo de censura tornava impossível o lançamento de determinados filmes. O ator também relembrou as dificuldades enfrentadas com seu filme “Marighella” junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine).
O diretor Kleber Mendonça Filho, após “O Agente Secreto” vencer também como Melhor Filme de Língua Não Inglesa, comentou em coletiva de imprensa sobre o que chamou de “forte inclinação à direita” no Brasil, movimento que considerou superado. O cineasta ainda caracterizou Bolsonaro como “irresponsável” e mencionou sua prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em contrapartida, o presidente Lula (PT) celebrou as vitórias brasileiras nas redes sociais, destacando a importância do filme para preservar a memória sobre a violência da ditadura e a resistência do povo brasileiro.