Governo vai na contramão ao Acordo de Paris

EUA lideram boom global de gás natural para alimentar IA
Os Estados Unidos estão liderando uma expansão significativa na geração de energia a gás em escala global, impulsionada principalmente pela crescente demanda energética dos data centers que alimentam sistemas de inteligência artificial. Segundo relatório recente da Global Energy Monitor (GEM), essa expansão deve resultar em níveis recordes de emissões até 2026.
De acordo com a pesquisa, os projetos em desenvolvimento têm potencial para aumentar a capacidade global de gás em 50%. Os Estados Unidos emergem como protagonistas neste cenário, com planos ambiciosos para 2025 e 2026.
Principais pontos do relatório:
* Os Estados Unidos triplicaram sua capacidade planejada de geração de gás para 2025, visando atender à crescente demanda energética dos sistemas de inteligência artificial
* Se todos os projetos de gás em desenvolvimento nos EUA forem concretizados, o país será responsável por emissões de 12,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono durante sua vida útil
* Em escala global, a expansão planejada do gás resultará em 53,2 bilhões de toneladas de CO²
O cenário se torna ainda mais complexo com recentes decisões políticas dos Estados Unidos. O país oficializou sua segunda saída do Acordo de Paris Sobre o Clima e anunciou sua retirada imediata do Fundo Verde do Clima (GCF), iniciativas que promovem o abandono gradual de combustíveis fósseis em favor de energias limpas e renováveis.
A Casa Branca, em comunicado divulgado no início do ano, informou que Donald Trump assinou um Memorando Presidencial determinando a saída dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, alegando que estas “não servem mais aos interesses americanos”.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a saída do GCF afirmando que “energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza”.
Em meio a estas decisões, o Departamento do Tesouro americano oficializou a retirada do país do Fundo Verde para o Clima, renunciando também ao seu assento no Conselho do GCF, com efeito imediato.