Embarcação tem 2 milhões de barris

Fonte: Agência Brasil
A Venezuela elevou a tensão diplomática com os Estados Unidos ao denunciar formalmente ao Conselho de Segurança da ONU a apreensão de um navio petroleiro por forças americanas no Caribe. O incidente, classificado como “roubo” pelo governo venezuelano, ocorreu como parte das operações militares dos EUA na região.
Washington justifica a ação alegando que a embarcação estava envolvida em uma “rede ilegal de envio de petróleo que apoia organizações terroristas estrangeiras”, enquanto Caracas considera o episódio um “ato de pirataria naval”.
Por meio de uma carta apresentada ao Conselho de Segurança, o embaixador venezuelano na ONU solicitou a “condenação pública desse ato de pirataria promovido por um Estado, o uso ilegítimo da força militar contra um navio privado e o roubo de um carregamento fruto do comércio internacional lícito”.
A chancelaria venezuelana enfatizou que os americanos “apropriaram-se ilegalmente de um carregamento de petróleo venezuelano correspondente a uma operação comercial regular, legítima e ajustada plenamente ao direito internacional”. O documento exige a libertação dos tripulantes, descritos como “sequestrados”, e a “devolução imediata” da carga.
O contexto da apreensão se insere em uma operação mais ampla dos Estados Unidos no Caribe, que inclui o envio de uma flotilha de navios de guerra e sobrevoos frequentes na costa venezuelana. As autoridades americanas afirmam que estas ações fazem parte de sua campanha contra o narcotráfico e visam pressionar o presidente Nicolás Maduro.
A campanha militar americana na região, que se estende por mais de três meses, já resultou em 95 mortes e diversos ataques a embarcações suspeitas de contrabando de drogas, tanto no Caribe quanto no Pacífico, aumentando significativamente a tensão regional.
O navio apreendido em 10 de abril transportava entre 1 milhão e 2 milhões de barris de petróleo venezuelano. Vale ressaltar que a Venezuela, que produz 1 milhão de barris de petróleo diariamente, enfrenta desde 2019 um embargo que a força a comercializar seu produto no mercado negro com consideráveis descontos.
A denúncia foi apresentada ao Conselho de Segurança da ONU, órgão responsável pela paz e segurança internacionais, que possui autoridade para implementar sanções ou autorizar o uso da força. É importante notar que os Estados Unidos são um dos membros permanentes deste conselho e possuem poder de veto.