Ele precisa de 41 votos favoráveis

Foto: Renato Menezes/Ascom AGU
O advogado-geral da União Jorge Messias iniciará uma intensa articulação política no Senado Federal após sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Para garantir sua aprovação, precisará conquistar ao menos 41 votos favoráveis, em um cenário que se mostra desafiador após a apertada votação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A estratégia de aprovação está estruturada em diferentes frentes:
* O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo, será o principal articulador político, responsável por coordenar as aproximações com parlamentares e administrar possíveis resistências. Wagner, que possui bom trânsito com parlamentares de centro e oposição moderada, já começou a organizar encontros individuais e coletivos.
* Messias planeja procurar diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que demonstrou desconforto com sua indicação, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nome que era preferido por Alcolumbre para a vaga.
* A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) será fundamental na articulação junto à bancada feminina e aos senadores evangélicos. Como relatora da CPI do 8 de Janeiro e evangélica da Igreja Assembleia de Deus, ela possui diálogo com diferentes campos ideológicos.
O perfil religioso de Messias, membro da Igreja Batista, é visto como um diferencial estratégico. Ele é conhecido por citar passagens bíblicas em conversas e manter uma rotina de leituras devocionais. Desde 2023, representa o presidente Lula nas edições da Marcha para Jesus.
“Ele é um jurista de trajetória limpa, tecnicamente preparado e profundo compromisso com a justiça e o interesse público. É também um grande gesto do presidente para o segmento evangélico. O Messias é um cristão evangélico genuíno e tem sido, como AGU, um parceiro de primeira hora das causas do evangelho junto ao presidente Lula. A democracia brasileira e a igreja ganham com ele”, afirmou Eliziane Gama ao GLOBO.
A votação secreta no Senado exige cautela do governo. Para aprovação, Messias precisará de maioria simples na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e 41 votos favoráveis no plenário. A estratégia central é apresentá-lo como um perfil conciliador, que combine solidez jurídica, discurso cristão e moderação política.
Esta é a terceira indicação do presidente Lula para o STF em seu atual mandato. Os indicados anteriores, Flávio Dino e Cristiano Zanin, enfrentaram resistência da direita mas foram aprovados com 47 e 58 votos favoráveis, respectivamente.