Ele estima que Messias tem hoje 31 votos

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinalizou a possibilidade de acelerar a votação da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), em uma estratégia que pode dificultar a aprovação do nome escolhido pelo presidente Lula. A manobra incluiria levar o caso ao plenário antes do recesso parlamentar, que se inicia em 23 de dezembro.
Segundo fontes próximas à situação, a estratégia de Alcolumbre visa reduzir o tempo disponível para Messias articular apoio junto a lideranças evangélicas, membros do governo e ministros do Supremo. Para sua aprovação, o indicado necessita de no mínimo 41 votos dos 81 senadores.
* Alcolumbre demonstra resistência ao nome de Messias, preferindo inicialmente o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Um interlocutor próximo ao presidente do Senado revelou que ele “não quer cometer o mesmo erro” ocorrido na indicação de André Mendonça em 2021.
* O cenário atual mostra-se desafiador para Messias. Aliados de Alcolumbre estimam que o indicado possui entre 28 e 31 votos favoráveis, número ainda distante do necessário para aprovação.
* Uma prévia das dificuldades foi observada na recente votação de Paulo Gonet para a Procuradoria-Geral da República, aprovado com apenas 45 votos, o placar mais apertado desde a redemocratização.
“O governo Lula viu que a coisa ficou feia e quer baixar a temperatura, jogando para o ano que vem. Já o Davi quer manter a fervura e votar esse ano”, afirmou uma fonte próxima às articulações no Senado.
Em tentativa de aproximação, Messias divulgou nota pública direcionada a Alcolumbre, sugerindo que juntos “poderão aprofundar o diálogo” e “encontrar soluções institucionais que promovam a valorização da política”. A resposta do presidente do Senado foi protocolar, afirmando apenas que a Casa cumprirá suas prerrogativas constitucionais.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), comentou sobre a situação: “Nesse primeiro momento, há muita coisa emotiva que precisa ser respeitada, mas depois que isso esfria um pouco, acho que as pessoas vão encarar como uma prerrogativa do presidente”.
Vale ressaltar que a última rejeição de um indicado ao STF pelo Senado ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. A situação atual representa um teste significativo para a articulação política do governo Lula no Congresso Nacional.